terça-feira, 24 de maio de 2011

O quadragésimo-segundo koan do Portal Sem Porta

Caso 42: Uma mulher sai da meditação

Há muito tempo, o mais sábio   Bodhisattva,  Manjusri, que deve ser o próximo na ordem antes do Buda Shakyamuni, percebeu que o encontro dos Budas estava encerrado  e que  cada um  estava voltando  para  sua terra. Observando  uma  mulher  ainda  em meditação profunda  perto de Shakyamuni,  Manjusri  corretamente  curvou-se e  perguntou  ao Buda Shakyamuni,  "Essa mulher  foi capaz  de  alcançar o estado de  Iluminação  e por que eu  não?" Sakyamuni  respondeu, "Traga-a do  Samadhi  e pergunte  a ela você mesmo!" Manjusri  rodeou a mulher  três vezes  e  estalou  os dedos  e no entanto ela  estava   na meditação sem se perturbar.  Assim  Manjusri  elevou-a alto em sua mão e  levou-a ao primeiro  dos  três  céus  meditativos (totalmente  desvinculada de qualquer  desejo), e  esgotou  todos seus poderes místicos  em vão  (para  acordá-la).  Observando isso, Shakyamuni  disse,  "Mesmo cem mil  Manjusris  não  poderiam acordá-la  do  Samadhi.  Ali reside  Mo-myo (Avidya)  Boddhisattva,  o mais baixo de  todos,  abaixo  deste lugar além de duzentos  milhões de terras.  Só ele  pode  tirá-la de  sua  meditação profunda." Mal Shakyamuni  tinha falado e  o Boddhisattva  brotou  da terra, curvou-se e prestou sua  homenagem  a  Shakyamuni.  Por ordem de Shakyamuni,  Mo-myo  Boddhisattva  estalou os dedos. Instantaneamente, a  mulher  saiu  da  meditação  e se levantou.

Comentários  de Mumon:
O  velhote,  Shakyamuni,  é  realmente  extraordinário, capaz de produzir  um teatro no campo.  Agora então,  me diga: "Por que  Manjusri,  o maior  e  mais sábio  dos  sete Boddhisattva,  não conseguiu  tirá-la  da meditação?  Por que Mo-myo Boddhisattva,  o mais baixo de  todos, foi capaz  de  fazê-lo?  Se  você  obtiver e viver  o completo  entendimento  disto,  você atingirá  o grande samadi  deste mundo material  da ilusão  e do apego."

Seja  o único que poderia  tirá-la  da  meditação, ou  o  outro  que  não podia,
Ambos  obtiveram  a liberdade.
Um usava  a  máscara  de deus,  o  outro,  uma máscara de  diabo naquele teatro,
Mesmo a falha  é  na verdade  artística.